II Oficina de Curta-metragem

O Espaço Humanitas em parceria com a Photogramma Escola de Cinema
e Video
, realizam a partir do dia 8 de Julho de 2008 a segunda Oficina
de Cinema e Produção de Curta-metragem
. O curso ocorre no período de 8 a
22 de Julho de 2008 e as aulas acontecem nsa terças, quintas, sextas e sábados.







 

Tempos modernos

Era metrossexual
E politicamente correto
Mantinha peias na língua
E não tinha pregas no reto.


 

Espaço Humanitas Filmes Apresenta (atualizado)

Le Fetiche Man




Esse é o trailer do filme realizado na primeira oficina de cinema do Espaço Humanitas e que será exibido dia 13 de maio, terça-feira, a partir das 21h30 no Bar Valentino.

E quem estiver interessado em participar da próxima oficina, que começa em junho, entre em contato comigo porque as inscrições já estão abertas.


 

Ora porra!

Um amigo me manda um poema do Álvaro de Campos, uma daquelas pessoa do Pessoa, tratando da imprensa portuguesa, que, se transladado geograficamente, é a melhor descrição da imprensa tupiniquim, salvo, claro, as honrosas exceções.

Ora porra!
Álvaro de Campos

Ora porra!
Então a imprensa portuguesa é
que é a imprensa portuguesa?
Então é esta merda que temos
que beber com os olhos?
Filhos da puta! Não, que nem
há puta que os parisse.



 

O crux ave spes única!

Ontem, dia 19 de março, veio ao mundo Rafael, meu mais novo sobrinho. Cinqüenta centímetros, três quilos e tantos, esbanjando saúde. É sempre uma alegria quando nasce uma criança, e sempre bonito também (que diabos os abortistas têm na cabeça?). A alegria é ainda maior, pois depois de uma longa ditadura feminina – meus irmãos já deram seis meninas para a família – veio o primeiro varão. E para aumentar ainda mais tamanha alegria, o rapazinho nasceu no dia do aniversário do meu pai, para quem maior presente não há.

***


Assim como todo nascimento é alegre e belo, assim são as conversões. Não admira, afinal, já que o sentindo mesmo do batismo, e portanto da conversão, é um morrer para o mundo e nascer para Cristo, um renascimento, que por ser um re-nascer de um mundo que antes era apenas morte e absurdo, é ainda mais alegre e mais belo. A conversão, porém, não é um instante numa biografia, mas um exercício constante de altos e baixos, de alegrias e frustrações. A Cruz, que remete-nos diretamente ao sofrimento de Cristo e dos homens, é também a nossa esperança e a nossa alegria. Graças à Cruz, podemos renascer após cada queda. A Cruz é o presente de Deus aos homens.

***


Às portas da Paixão, salve, ó cruz, nossa única esperança.

***


Bela e alegre é a prosa de Gustavo Corção, um dos grandes conversos do século XX. Corção é também o maior escritor brasileiro desde Machado e a su’A Descoberta do Outro, o melhor livro desde Dom Casmurro. Corção sempre soube das coisas e sabia do mundo. E o mundo? O mundo continua em seu giro, como dizia a Nelson, e como escreve logo abaixo, nesse texto que deixou aos meus amigos como uma reflexão sobre a Sexta-feira da Paixão.

***


E o mundo!

Gustavo Corção


E o mundo? Que rumo tomará esse monstro de complexidade e de diversidade, que rosna em todos os tons a vanglória de suas conquistas, para logo, em todos os timbres gemer as misérias das mesmíssimas glórias; e o mundo? o mundo?

Lembro-me da visita que fiz a Nelson Rodrigues, recém-operado e ainda mergulhado nos abismos da semiconsciência. Quando, afinal, vencidas as reservas e proibições médicas consegui entrar no pequeno quarto onde Nelson me apareceu numa majestosa cátedra de dor toda cercada pelos fios e aparelhos luminosos da ciência. Nelson estava majestosamente alheio a tudo. De repente, por uma fresta acaso acesa na consciência, viu-me e precipitou-se para mim com um rugido que a custo estivera represado naquela grande alma tão apaixonadamente interessada: - Corção! E o mundo? E o mundo?

Tracei no ar um gesto largo e rotativo para tranqüilizá-lo: o mundo continuava seu ofício de girar.

Carinhosamente expulso pelo médico e pelas enfermeiras, vi o Nelson voltar às trevas protetoras da inconsciência enquanto, pelos corredores do edifício, voltava eu ao mundo.

Hoje, depois de uma semana a depressão gripal e de vertigens de natural cansaço de tanto girar com os que giram, retomei consciência da cátedra que me oferecem nesta bela página do GLOBO, de onde devo atender às interrogações vindas de todo o mundo e estampadas, neste ou naquele estilo, em todas as páginas dos jornais.

Parece-me que todas as inquietações convergem nesta: "Aonde vamos?"
Na semana passada, a contemplação dos mistérios da Paixão e da Cruz nos levaram a ponderar que deve estar no supremo ponto do combate e do ensinamento de Jesus o supremo critério para nosso pobre testemunho. Numa escalada em que Jesus e os doze,, depois do drama da Ceia, sobem ao jardim das oliveiras há uma inimaginável ascensão espiritual. Quando dissemos que começa a Paixão no momento em que, feitos todos os preparativos, Nosso Senhor diz aos doze: "Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa", estávamos longe de imaginar os degraus de uma imensa e divina dor a serem galgados em poucas horas. E agora, em vez da mesa preparada e até dir-se-ia festiva, vemos o Senhor prostrado na terra, tomado de angústia, a suplicar "Pai afasta se possível de mim este cálice - mas que Tua Vontade Seja Feita e Não a Minha" (Mc. XIV, 37 de memória). E aí está a primeira lição: obediência ao Pai até a morte, e morte de cruz.

Todas as hesitações, todas as dúvidas, todos os cansaços, todos os medos se resolvem diante desta suprema obediência ao Pai.

O leitor dirá que repito frases convencionais, e perguntará como é que nós podemos saber qual é a vontade de Deus. Respondo dizendo que efetivamente repito o que com a Igreja aprendi, e dou graças a Deus de não ter sido vã a atenção que prestei à Sagrada Doutrina. Agora desdobro em duas a resposta ao leitor ávido de uma solução para o seu caso. Em primeiro lugar temos a ciência geral da vontade de Deus expressa nos mandamentos e desenvolvidos nas obras dos doutores da Igreja. Tudo isto se estuda e se aprende desde que inicialmente se escolha a graça que nos leva a amar a vontade de Deus. Para ouvir a vontade de Deus nos casos particulares é preciso ter a alma preparada pela mortificação, pela humildade e pelo silêncio interior. Isto também se aprende e se exercita se os admiráveis exemplos dos santos nos são oferecidos pela Igreja para que esses exemplos nos aproximem mais dos exemplos de Jesus.

E agora, neste ponto, marcado com uma cruz, ponderemos o rico paradoxo do mistério da redenção. Desde os preparativos da Ceia observamos que Jesus prepara e conduz sua Paixão mais como quem faz uma obra do que como quem se submete aos acontecimentos. Voltemos ao jardim das oliveiras onde deixamos Jesus prostrado, e depois a dizer com tristeza infinita: - "Não pudeste rezar uma hora comigo!"

Quando porém os passos da multidão armada de varapaus e seguida de soldados romanos, a atitude de Jesus tem tão visível força e majestade que derruba por terra os primeiros homens da corte. E quando pergunta: "quem procurais?" e sobretudo quando responde tranqüilamente: - "Sou eu...", torna-se para nós bem clara - na Fé - o desenvolvimento da cena sacerdotal: Jesus não é preso, Jesus se entrega, se oferece ao Pai.

Mas é diante do sinédrio reunido para julgar Jesus que a obra de nossa salvação, trabalhada por Nosso Senhor, ganha uma concentração inimaginável. Enquanto juízes e testemunhas formulavam acusações diversas e até incoerentes, Jesus calava-se como se nada daquilo lhe dissesse respeito, ou como se sua vida não estivesse nas mãos daqueles homens. Em outras circunstâncias, análogas diante de Heródes (Luc. XXIII, 9) e de Pilatos (Mc. XV, 5) Jesus calou-se. Quando porém no Sinédrio o Sumo Sacerdote, admirado de seu silêncio, dirigiu-lhe a pergunta que o mataria - "És tu o Cristo?" - Jesus respondeu com a única resposta que o Pai esperava dele, sabendo que nesta resposta concentrava o sacrifício em razão do qual o Verbo Divino se encarnara para a salvação eterna dos homens que, acima de todas as coisas do mundo, tivessem sede daquele Sangue. Eis a resposta de Jesus-Sacerdote que oferece ao Pai Jesus-Vítima: "Eu o sou". "E haveis de ver o Filho do Homem sentado à direita do Pai vir sobre as nuvens".

A continuação é conhecida: O Sumo Sacerdote rasga as vestes. Jesus vai de Heródes para Pilatos. O povo prefere Barrabás. E Jesus é crucificado exatamente por ser o Filho de Deus Encarnado para morrer na cruz por nossa salvação.

Da casa tranqüila de Betania (Luc. X, 42) ao tumultuoso ambiente do Sinédrio, e daí ao Calvário, traça-se a límpida linha do supremo critério com que queremos na terra, no turbilhão dos múltiplos cuidados temporais, nos mantermos fiéis ao único necessário e à razão central do sacrifício de Jesus. Blasfemaremos sim, quando reunidos em sínodos ou concílios dissermos que ali estamos em nome de Jesus Cristo para fins e cuidados "prevalentemente temporais". Ou pecaremos por omissão se, diante de tais declarações, não dissermos: "anathema sit".

O GLOBO Quinta-feira, 22/4/76





 

Espaço Humanitas



 

Um montão de cursos

Tipaiada,

Comunico-vos o lançamento do Espaço Humanitas, um refúgio para quem deseja trilhar o duro, mas gratificante, caminho da auto-educação. Pois sim, educação não-formal, é disso que se trata e isso que oferecemos. Cursos livres, sem pré-requisitos, sem enrolações nem picaretagens acadêmicas, para quem quer realmente apreciar boa música, bons livros, bons filmes e aprender a pensar com o próprio miolo ao invés de repetir o pacotão de bobagens que empurram por aí com roupas de “educação crítica”. Projeto modesto, mas sério e promissor.

Nosso espaço ainda é pequeno e o recurso, pouco, mas isso não nos intimida nem nos impede de oferecer cursos bons, interessantes e que você não encontra por aí. Nesse semestre teremos:

Lógica e raciocínio matemático: um curso mais específico, voltado para quem está prestando concurso e tem que encarar tabelas de verdade, cálculo proposicional, etc. É claro que qualquer um pode cursá-lo, já que um pouco de lógica não faz mal a ninguém. Aliás, é justamente porque a lógica ficou restrita a um ou outro curso universitário que as conversações públicas são caricaturas de debate. Aberto a todos, sim, mas no segundo semestre teremos um curso voltado exclusivamente para a arte de argumentar, analisar falácias, etc.

Uma história do Rock’n’Roll: outro dia, conversando com um amigo recém formado em jornalismo, fiquei espantado com sua ignorância sobre um dos fenômenos culturais mais importantes do século XX, o Rock’n’Roll. A situação é ainda pior, pois o rapaz tem pretensões de jornalista cultural e edita um blog, digamos, very indie. Apresentando o velho rock desde seus primórdios nos bluezeros americanos até a grungeada de Seatle, o curso será ministrado pelo antológico Fakir, figura mais que apropriada para tratar do assunto com autoridade. Fakir foi o salvador da pátria de rockeiros londrinenses sem internet, mp3 e iPod, que vasculhavam a Jardim Elétrico atrás de discos que nem a Music Station podia oferecer.

Educação pela leitura dos clássicos: já devo ter falado disso aqui antes, mas não custa nada repetir. Para resumir a conversa, o curso é uma introdução à vida intelectual por meio dos grandes mestres da literatura. Não oferecemos aquela leitura de entretenimento de livros ligeiros, mas uma reflexão profunda de cada obra, escavando dela as concepções originais de nossas idéias sobre inteligência e verdade, destino e vocação, vida e morte, liberdade e dever, consciência e moral, felicidade e justiça, etc, e as confrontando com nossas experiências pessoais diárias. Dentre os autores selecionados estão Platão, Shakespeare, Dostoievski e, claro, o velho Machado.

História do cinema: imagino que você, assim como eu, esteja cansado de ler as “críticas” de cinema de um Lourenço Jorge da vida, para quem filme bom é aquele que faz “uma crítica contundente à sociedade americana”. Nesse caso, talvez você queira conhecer a história fantástica do cinema, entender os conceitos básicos envolvendo a produção cinematográfica, os principais movimentos e diretores e, claro, os grandes filmes, e poder julgar por si só a beleza e relevância de um filme.

Para escutar os Clássicos ou como ser um ouvinte exigente: esse curso é para os amantes da música erudita. O regente Robison Poreli planejou um programa que, ao mesmo tempo em que educa o ouvido do aluno para reconhecer a “gramática” da música clássica, o introduz na obra dos grandes mestres da música, apresentando as variações de forma, estilo e gênio. Eu, particularmente, confiando em Aristóteles, acredito que a música é um elemento essencial para a educação de qualquer pessoa, não por mera erudição, mas porque é ela que nos incute noções essenciais como harmonia e proporção. E as virtudes, amigos, não são outra coisa que arranjos harmônicos das disposições humanas.

Montamos também uma Oficina de realização de cinema, na qual os participantes vão aprender, na prática, como se faz um filme. Roteiro, direção, fotografia, montagem, enfim, todos os passos envolvidos na produção de um filme serão trabalhados na oficina, que terá a duração de um mês e contará coma realização de um curta-metragem digital.

Estão previstas palestras mensais com gente interessante, sobre assuntos diversos, mas como ainda temos que confirmar datas e outros detalhes, falo disso em outro texto.

As aulas começam em duas semanas, e já estamos fazendo as inscrições. Se estiver interessado, mande-nos um email ou ligue para (43) 33226698.


 

Murilando

Poemas de Murilo Mendes.

A tentação

Diante do crucifixo
Eu paro pálido tremendo
“ Já que és o verdadeiro filho de Deus
Desprega a humanidade desta cruz”.

*

O mau samaritano

Quantas vezes tenho passado perto de um doente,
Perto de um louco, de um triste, de um miserável,
Sem lhes dar uma palavra de consolo.
Eu bem sei que minha vida é ligada à dos outros,
Que outros precisam de mim que preciso de Deus
Quantas criaturas terão esperado de mim
Apenas um olhar – que eu recusei.


 

Goodbye, Bill



Morreu hoje William F. Buckley, um dos jornalistas mais importantes dos EUA, escritor brilhante, fundador da National Review e um dos principais – se não “o” principal – responsáveis pelo florescimento do movimento conservador que elegeu Ronald Reagan e que moldou os últimos 40 anos da história americana.

Bill Buckley teve uma carreira extraordinária. Influenciado por Albert J. Nock e Russell Kirk, publicou, logo ao sair da universidade, o clássico God and Man at Yale, uma denúncia do movimento ateísta que começava a corroer as bases da educação superior americana.

Buckley e Russell Kirk
William Buckley e Russell Kirk

Trabalhou na CIA por um breve período, o suficiente para dar-lhe as idéias necessárias para escrever as várias novelas de espionagem que escreveu (algumas publicadas no Brasil). Sua coluna On the Right, publicada 2 vezes por semana, era distribuída para mais de 320 jornais em todo o país. Além disso, ele apresentou por ininterruptos 33 anos o programa semanal de TV, Firing Line, no qual entrevistava e debatia com intelectuais, artístas e políticos de todo o mundo e de todas as orientações ideológicas possíveis. (aqui dá para assistir um trecho de uma entrevista com Carlos Lacerda, realizada em 1967).

À frente da National Review, que foi durante anos a mais importante publicação da direita americana, reuniu tradicionalistas, liberais clássicos, monarquistas, libertários e tudo o mais que se opusesse ao New Deal. Foi à frente da National Review também que ele moldou politicamente o que até então era um movimento puramente intelectual. Depois do apoio – sem sucesso - a Barry Goldwater, a NR concentrou-se em Ronald Reagan e conseguiu fazer de seu nome um consenso entre a direita, que naquele momento se dividia em várias correntes (coisas que a imprensa brasileira nem sonha que existe).


Buckley entrevista Ronald Reagan no Firing Line

Amado por uns, odiado por outros. Contudo, todos concordavam num ponto: Buckley era um escritor excepcional. Suas colunas e livros misturavam um humor finíssimo, escrita elegante e raciocínio certeiro. Sua autobiografia, Miles gone by, é uma verdadeira obra-prima da prosa inglesa.

Buckley e Bush
Buckley e Bush, a quem, em 2006, ele chamaria de “traidor”.

William Buckley foi encontrado morto, aos 82 anos, sobre a escrivaninha onde trabalhava em sua última coluna. Que Deus o tenha.

Escritório de Bill Buckley

Ps. O NY Times publicou um ótimo obituário sobre o jornalista, aqui.


 

Breves

Depois de dias de ocupação por um bando de cretinos, O Insurgente está de volta. O famoso blog português havia sido tomado por um grupo de desocupados, que lá implantou um site mais comunista que a peste e que, de tão escroto, ainda não sei se era sério ou esculhambação. Seja como for, O insurgente voltou e hoje comemora seu 3o aniversário.

***

Ainda Fidel&Cuba. Minha amiga Graça Salgueiro, que edita o Nota Latina, uma das poucas fontes de informações decente sobre a América Latina, publicou um ótimo texto no Mídia Sem Máscara, Réquiem para um assassino. Leiam.

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As viúvas de Fidel tão que tão. Agora é a vez de Gerald Thomas, o homem da cueca verde, mostrar-se um bundão em protesto ao excelente texto de Reinaldo Azevedo publicado na Veja, em que ele, Reinaldo, tratava do arqui-sabido fato de que a Santíssima Trindade da – ai meu Jesuscristinho – intelectualidade brasileira, Frei Betto, Chico Buarque e Niemeyer, é a embaixada informal da ditadura cubana no Brasil. A coisa está divertida. Os argumentos do dramaturgo pelado são ótimos: Reinaldo é um desconhecido e Reinaldo não faz sexo.

Engraçado, o argumento da falta de sexo é um dos preferidos da turma do baixo-ventre, não? O cara pensa diferente de mim, deve ser porque não transa! Até eu, quando publiquei aqui uma mensagem de boas-vindas ao Papa, fui taxado de celibatário frustrado por uma biba malcriada, que exigia-me, no auge de suas taras, provas incontestes da minha vida sexual, fotos em pleno ato de conjunção carnal e outros tantos, mas, ao contrário de Gerald Thomas, preferi deixar minha bunda no anonimato. O mais engraçado dessa história - e devolvendo o argumento – é que eu fico imaginado a dura abstinência pela qual deve estar passando o dramaturgo depois que exibiu a bunda publicamente. Afinal, como diz um amigo, quem ranga isso?

***

O Padre Paulo Ricardo continua sua leitura comentada do livro Jesus de Nazaré, do Papa Bento XVI. O Padre Paulo Ricardo é autor daquele curso de Terapia das Doenças Espirituais, lembram? Os podcasts podem ser baixados aqui. Programinha mais que recomendado aos meus 3 leitores católicos.

***

Versinho caso William Blake estivesse vivo

All the lambs were shot down
Nowadays ain´t got no lambs in town


.


 

Mudar para que nada mude

Em Irvington, pequena cidade ao lado de Nova York, na outra margem do Hudson, vizinho a mais antiga instituição criada para a defesa e divulgação da liberdade e do livre-mercado, a Foundation for Economic Education, há um pequeno Pub onde se pode beber litros de cerveja, criticar o governo e assistir jogos dos Yankees. Lá trabalha um exilado cubano, que gosta de contar aos clientes as aventuras de quando trabalhava para o serviço secreto de Fidel Castro (não se admirem, segundo ele, um terço da população cubana trabalha para o serviço secreto) e sobre a espetacular fuga da ilha, quando, em missão para resgatar refugiados na Argentina, fugiu para o Brasil, escondendo-se em favelas de São Paulo e depois em um sítio no interior de Minas Gerais. Antes de chegar aos EUA, onde reside há 7 anos, viveu com documentos falsos na Bolívia e no México. O sujeito ama seu país, mas diz que não voltará jamais.

Não posso negar que apareceu um sorrisinho ao canto da boca quando li a declaração de renúncia de Fidel Castro, mas não sou otimista quanto ao futuro da ilha. Não acredito na inevitabilidade da história, nem na progressiva vitória da liberdade. Acredito sim é no pecado original, na dose de maldade que habita a natureza humana e na eterna ameaça de novos tiranos. É uma questão de tempo até que a liberdade chegue na ilha? Sim, mas de quanto tempo? Ontem, a situação era mais favorável, o governo cubano morria lentamente de inanição, órfão do dinheiro soviético, que remediava a ineficiência do sistema cubano para retirar o povo da miséria e cumprir as promessas revolucionárias. Hoje, o governo cubano tem novo padrinho e mantêm as rédeas graças aos petrodólares de Chávez, que, segundo Alejandro Peña Esclusa, um dos heróis da resistência venezuelana, tem o plano de, junto com Castro, fundir duas nações bajo un sólo gobierno.

Fidel saiu por livre e espontânea vontade, porque está velho, decrépito, doente. Não saiu porque a inevitabilidade do progresso na história colocará fim aos ditadores. Sua renúncia não é uma vitória da liberdade. Em Cuba, os cubanos não foram às ruas comemorar. E nem irão. O atendente do Pub em Irvington, vizinho dos defensores da liberdade, não poderá retornar a Cuba pois sabe que ainda é um desertor e traidor da revolução. O príncipe herdeiro, Raul Castro (já que a filha de Fidel fugiu e tornou-se sua inimiga em Miami), não dá nenhum sinal de que libertará o povo cubano. É uma pena.

E as conquistas da revolução? A educação? 100% de alfabetizados que só podem ler a cartilha editada pelo Estado? E a medicina cubana? Pelo que sei, 95% dos médicos formados em Cuba reprovam no exame do Conselho Federal de Medicina para validação dos diplomas no Brasil, tanto que o governo petista resolveu dar uma ajudinha e tentou criar a validação automática para os formados na ilha. As maiores contribuições da medicina cubana ainda são o nariz do José Dirceu e o vídeo abaixo.





 

Trip is over

Acabo de voltar de férias. Uma semana pós-carnavalesca longe da barbárie dos tempos modernos. Iniciamos a jornada – eu e a digníssima senhora Silvio Grimaldo – pela Santa Missa Tridentina na Igreja da Ordem em Curitiba, com direito a coro, latim, versus Deum, genuflexões, acólitos e todas essas coisas que causam horror aos iluminados. Amém.

***

Há uma área cinzenta entre o final de férias e o retorno ao trabalho, área em que os preparativos são feitos, as novidades são sabidas, as fotos são reveladas e as horas são contadas, misturando o passado recente com o futuro próximo. Saudade e ansiedade, ou algo estranho assim.

***

Trabalho esperando. Começo pelos e-mails e, entre toda a mistura de bobagem com coisa séria, encontro o vídeo da campanha espanhola “Yo rompo con Zapatero”. Encurtando a história, Zapatero, o socialista ateu, resolveu aprender algo com a ditadura militar brasileira e levar a velha Educação Moral e Cívica para as escolas espanholas. O nome do embuste é novo pero no mucho, Educación para la Ciudadanía, e o conteúdo, lobby da bicharada e de outras minorias histéricas, mais antenado com a modinha politicamente correta do momento. La misma mierda con distintas moscas.



***

Eu de férias, mas os brothers trabalhando (não os do BBB, porra!): o Aristoi publicou uma ótima entrevista com o Martim Vasques, coordenador do Departamento de Humanidades do Instituto Internacional de Ciências Sociais, a primeira instituição brasileira de ensino a oferecer programas baseados na Educação Clássica. Vale a pena ler a entrevista e assinar o boletim do site, que está novinho em folha. Se você não sabe do que eu estou falando, siga os links.

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Amanhã, a labuta. E por falar em trabalho, em breve novidades sacudirão esse norte pioneiro onde o chão é mais vermeio.



 

Fotos inesquecíveis



Aproveitando, não deixe de ver o Diogo e o Portuga.


 

Cara R,

há carnaval lá fora, posso escutar daqui o ronco das baterias triunfantes e o bate-coxa das mulatas festivas seminuas. Ou será a televisão? Não, eu não tenho televisão. Sei que ali na Vila Brasil acabou de rolar um tiroteio. Deu para escutar daqui também. Ou foi na Via Expressa, não sei ao certo. Eram tiros, isso eu sei. O amontoado de livro, que já não fica ali no canto, mas nos cantos, olha-me desprezando, como se perguntasse que diabos faço aqui a essa hora sem minha roupagem de folião. Livros que não querem ser lidos... essa é boa! Sei que não é assim. Lembra das Cartas de Screwtape? Aprendi uns poucos truques do diabo ali e esse é apenas mais um deles, como se eu estivesse certo de que não morro já, de que terei todo o amanhã para fazer essas e tantas outras coisas. É uma espécie de orgulho, uma tentação que eu cedo facilmente e de certa forma consciente. E fico aqui pensando em esquivas para os folguedos carnavalescos, quando elas, as esquivas, que são, em realidade, o verdadeiro caminho, estão bem na minha cara. É carnaval, afinal de contas. Vou ao Chá das cinco, ou ao similar de sempre, beber o de sempre, fazer o de sempre, ou deprimo-me. Sabe como é, todos nós temos nossos narcóticos. Agarro-me na certeza da Infinita Bondade e conto com as penitências que se seguirão à quarta-feira de cinzas. É uma espécie de acerto de contas. E que mais odioso e triste poderia eu fazer do que transformar a salvação num balcão de negócios? Adrian Leverkuhn tentou e se deu mau: Fausto faz negócios melhor que nós. Deve ser chinês, o diabo. Há os amigos que, orfãos de blocos, também perambulam por aí desesperados, carentes de ação, do maldito e torturante “algo para fazer”. É o nosso clube, o nosso bloco. E vamos em festa, ainda que outra festa, mais barata, mais escura, sem lantejoulas. Mas nunca a quietude, a contemplação. É o sangue. É a terra. É essa herança da qual não nos livramos, o preço que pagamos, a condição brasileira inescapável. E o bode-espiatório para todos os desatinos. É o diabo. Você é que estava certo quando embarcou.
Mande notícias animadoras. Saudades,
S.


 

O Tempora, O Mores!

Acabo de ouvir de um jornalista canalha da Record, a TV evangélica mais anticristã deftepaiz, que uma Fulana de Tal, de 14 anos, “engravidou porque não conhecia a pílula do dia seguite”, e depois descabambou para uma matéria com os preconceitos anticatólicos de sempre, sobre a polêmica entre a Igreja e o Bloco do Bundalelê no Recife. Tá certo, tá certo, não dá para esperar muita coisa da seita que comemorou a liberação do aborto em Portugal como uma derrota da Igreja, e não uma como uma derrota do homem e um pecado contra o Espírito Santo.

Agora, amigo, ninguém engravida porque não conhece o elixir abortivo da ressaca braba. Pessoas engravidam porque transam, e transam porque querem. Uma garota de 14 anos não fica grávida por culpa do Papa, mas justamente por não dar ouvidos a ele. Uma garota de 14 anos não fica grávida porque vai à missa no domingo, mas porque não tem uma família estruturada, porque não tem os valores que fazem de nós algo mais que o somatório de funções biológicas, que dão um sentido à vida, transcendente a mera satisfação de necessidades animais, que nos elevam, enfim, à condição propriamente humana.

Não, a menina não engravidou porque os bispos retrógrados impediram que os abortistas a assediassem a tempo. Não. Ela engravidou porque quis, porque não contava com as consequências de seus atos e porque vive numa cultura em que qualquer palavra sobre responsabilidade é visto como preconceito conservador, opressão, caretice.

***


Terroristas em geral não respeitam nenhum tabu, assim como os humoristas. Não há limites para a avacalhação pública do alvo, não há assunto proíbido, não há piada politicamente incorreta silenciada, não há comentário mordaz contido, não há palavrão evitado. Não há idosos, crianças, mulheres. Não há afro-descendentes, GLBTTetes, oprimidos, opressores. Não há minorias com privilégios especiais. Não há distinção de credo, classe, ideologia. Tudo é alvo, tudo é lícito. Mas pra tudo há limites, e mãe é sempre tabu. Afinal, até terroristas têm mãe, assim como os humoristas.

***


Agora invasão de terra conta como contribuição para a previdência. Eh, que maravilha! Que mais nos aguarda, aposentadoria por tempo de coçassão de saco? E os cuidão, que tomam conta de nossos carros sem nenhum amparo da previdência?

***


A dona Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, gastou no ano passado R$ 117 milhões com cartões corporativos, que é aquela forma do governo torrar a sua grana com cafezinho, clips, passagem aérea e hotel de luxo sem precisar fazer licitação. E depois eu é que sou da Zelite!

***


Vestibulandos em festa nos semáfaros, Bib Brother e escolas de samba na TV. Chega ou quer mais?


 

Compro Ouro

Não sou o maior amante de futebol. Para dizer a verdade, o que de melhor o esporte nacional me ofereceu até hoje foram as crônicas à sombra das chuteiras imortais, do velho Nelson. Não sei qual era a escalação da seleção de 82, não sei o que é ponto-corrido, nem quem era o jogador do Palmeiras que comia o Jorge Lafon. Mas às vezes tropeço no mundo das chuteiras, como ontem, quando um amigo me mostrava a sua mais nova aquisição, a camiseta do Londrina Esporte Clube.
Numa primeira olhada, não a reconheci, nem tanto por ignorância futebolística, mas porque havia tanta informação na camiseta que ela mais parecia um mural de classificados, pronto para ser vestido por algum homem-placa do centro de São Paulo, do que uma camiseta de time de futebol. Contei os anunciates, oito ou nove, não me lembro bem. Acho que vi anúncios repetidos. Eram muitos mesmo. Fica aí então a sugestão para o LEC: por que não substituir aquele logo barango do Habib’s, que em nada combina com a alviceste camiseta, pelo tradicional e mais apropriado anúncio “Compro Ouro”?





Ah, sim, eu torço pra Lusinha.


 

A rebelião das massas




 

Brainwashed

Tá aí, hemanos, a tal educação para a cidadania. Ainda chegamos lá!
Esse vídeo consegue ser mais bizarro que a degola canina postada pelo Briguet.

La niña robot.



 

No Contabam com mi astúcia

Roberto Gómez Bolaños, o Chaves, o homem que foi campeão de audiência em noventa países e que educou milhares de crianças durante 30 anos com a sua Vila, está sendo perseguido no México por feministas raivosas, por conta desse vídeo aqui em baixo.



 

Londrix

Começou o Londrix.

Como é costume, haverá aquele debate de escritores. Eu tenho medo de debate de escritores. Em geral, escritores são melhores escrevendo que debatendo. Há escritores, é verdade, que debatem melhor do que escrevem. E desses eu tenho mais medo. Escritores quando debatem revelam-se. Escritores quando debatem, havendo mais de dois debatedores, assinam manifestos. E eu tenho mais medo de manifestos do que de escritores que debatem. O manifesto, por aqui, de tanto que os há, já é considerado literatura, gênero literário de primeira grandeza. Há escritores que só o são porque assinam manifestos de escritores. O mundo dos manifestos literários e dos escritores de debate é pavoroso. E como a Regina Duarte, eu tenho medo.

Parece, contudo, que no Londrix não há clima para manifestos e poderia ir sem medo. Poderia, mas não vou. Nenhum problema com o festival, a não ser o fato de eu não conhecer parte dos escritores que vão lá conversar, e por isso não me interessar pelo que eles têm a dizer, e o fato de saber que a parte dos escritores que conheço não tem a dizer nada que vá me interessar.

Exagero. Há o bate-papo do Mário Bortolotto com o Maurício Arruda Mendonça, que me interessa, mas sábado Antígona me espera e Ismênia já chora preocupada, a maluca. Ademais, depois tem festinha de aniversário, e essa eu não perco de jeito nenhum.


 
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