
Morreu hoje William F. Buckley, um dos jornalistas mais importantes dos EUA, escritor brilhante, fundador da National Review e um dos principais – se não “o” principal – responsáveis pelo florescimento do movimento conservador que elegeu Ronald Reagan e que moldou os últimos 40 anos da história americana.
Bill Buckley teve uma carreira extraordinária. Influenciado por Albert J. Nock e Russell Kirk, publicou, logo ao sair da universidade, o clássico God and Man at Yale, uma denúncia do movimento ateísta que começava a corroer as bases da educação superior americana.

William Buckley e Russell Kirk
Trabalhou na CIA por um breve período, o suficiente para dar-lhe as idéias necessárias para escrever as várias novelas de espionagem que escreveu (algumas publicadas no Brasil). Sua coluna On the Right, publicada 2 vezes por semana, era distribuída para mais de 320 jornais em todo o país. Além disso, ele apresentou por ininterruptos 33 anos o programa semanal de TV, Firing Line, no qual entrevistava e debatia com intelectuais, artístas e políticos de todo o mundo e de todas as orientações ideológicas possíveis. (aqui dá para assistir um trecho de uma entrevista com Carlos Lacerda, realizada em 1967).
À frente da National Review, que foi durante anos a mais importante publicação da direita americana, reuniu tradicionalistas, liberais clássicos, monarquistas, libertários e tudo o mais que se opusesse ao New Deal. Foi à frente da National Review também que ele moldou politicamente o que até então era um movimento puramente intelectual. Depois do apoio – sem sucesso - a Barry Goldwater, a NR concentrou-se em Ronald Reagan e conseguiu fazer de seu nome um consenso entre a direita, que naquele momento se dividia em várias correntes (coisas que a imprensa brasileira nem sonha que existe).

Buckley entrevista Ronald Reagan no Firing Line
Amado por uns, odiado por outros. Contudo, todos concordavam num ponto: Buckley era um escritor excepcional. Suas colunas e livros misturavam um humor finíssimo, escrita elegante e raciocínio certeiro. Sua autobiografia, Miles gone by, é uma verdadeira obra-prima da prosa inglesa.

Buckley e Bush, a quem, em 2006, ele chamaria de “traidor”.
William Buckley foi encontrado morto, aos 82 anos, sobre a escrivaninha onde trabalhava em sua última coluna. Que Deus o tenha.
Ps. O NY Times publicou um ótimo obituário sobre o jornalista, aqui.
Bela homenagem, Grimaldo. Só uma dúvida: por que o Buckley rompeu com o Bush filho?
28.02.08 05:57 - pbriguet
Briguet, Buckley criticou, numa entrevista para a CBS, o desempenho dos EUA no Iraque, afirmando que a política externa de Bush traía os princípios conservadores. De fato, Buckley tinha toda razão e isso era quase um consenso na direita – só que quando Bill falava, todo mundo escutava. A direita conservadora é tradicionalmente não-intervencionista por duas razões: intervenções em outros países geram mais gastos públicos e aumentam o tamanho do Estado ; democracia não é um sistema, mas um fenômeno histórico-cultural específico, baseado num conjunto de valores bem determinados e não pode ser implantado pela força em países cuja cultura não é formada pelos mesmos valores. O projeto neocon de implantar o modelo de democracia americana no oriente médio sempre foi visto com desconfiança pela velha direita. Da Silva, Falha minha. Tá lá link agora.
28.02.08 10:40 - Grimaldo
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Opa, não saiu o link para o obituário do NY Times
28.02.08 10:10 - Massachussets da Silva